Mexilhoeira Grande é a maior das três freguesias que compõem o concelho de Portimão, embora detenha o menor número de habitantes. Apresenta paisagens singulares, resultado do perfil orográfico e climático da região bem como da actividade agrícola ali desenvolvida durante anos.
De cariz essencialmente rural,mantém vivas tradições e costumes bem patentes nas vivências quotidianas dos mexilhoeirenses.
Fazendo uma progressão cronológica, deveria iniciar-se este roteiro nos Monumentos Megaliticos de Alcalar (pré-história), passando pela Villa Romana da Abicada, depois pela extinta freguesia da Senhora do Verde e terminando a visita no centro da vila de Mexilhoeira Grande, onde podemos observar o resultado de todo este processo evolutivo.

Por questões de ordem prática, o nosso passeio pelo património desta freguesia iniciar-se-à pelas zonas da Espargueira e da Abicada.
Dirija-se então a Espargueira, por entre salinas, sapais e ribeiras, descobrindo a natureza genuína a par de um património arqueológico e natural de grande riqueza. Contemple uma paisagem lindíssima, com uma fauna e flora abundantes, onde o rio estende os seus braços como que a abraçar toda esta beleza.
É fácil então compreender o porquê de os romanos terem considerado este o cenário ideal para construção da Villa da Abicada, que será o nosso segundo local de paragem. Nesta núcleo, dê especial atenção ao património arquitectónico vernáculo e popular, com destaque para o casario branco com barras coloridas ao redor das janelas e portas e a típica chaminé algarvia.
Durante anos, a taipa foi o material eleito pelos locais para a construção das paredes das suas casas, que depois eram caiadas com cal, produzida em diversos locais da freguesia.
Outro aspecto que não poderá ser descurado é a religiosidade dos populares, bem patente nos vários elementos de arquitectura religiosa, nomeadamente a Igreja Matriz, a Capela do Senhor dos Passos e a Igreja da Misericórdia.
Saindo agora da Mexilhoeira em direcção a Alcalar, não deixe de apreciar, ao longo do percurso, a diversidade de actividades agrícolas, desde vinha a pomares de laranjeiras, pontuado por alfarrobeiras, amendoeiras e figueiras e um ou outro olival, outrora a grande riqueza do Algarve.
O povoado Neolítico de Alcalar situava-se no limite do troço outrora navegável da Ribeira da Torre, que se estendia sobre um cabeço destacado, junto ao lugar de Alcalar, a cerca de cinco quilómetros da Mexilhoeira Grande, em pleno Barrocal Algarvio.
Chegando ao: Monumento Nacional - a Necrópole Megalítica de Alcalar - o Centro Interpretativo permite-lhe obter informação sobre o povoado e a necrópole, bem como fazer um enquadramento sócio-cultural e histórico desta comunidade milenar.
Por fim, e a título de curiosidade, poderá ainda ir um pouco mais a norte e visitar o local onde se situava a freguesia da Senhora do Verde, extinta em 1836. Esta freguesia, cujo território se encontra hoje dividido pelas freguesias envolventes, deteve no passado um papel singular no que toca às crenças religiosas. Conta a lenda que durante o reinado de D. Manuel, perto da Ribeira da Senhora do Verde, terá milagrosamente brotado das entranhas da terra uma fonte cuja água teria propriedades curativas.
Este fenómeno terá dado origem à edificação de um monumento religioso e à própria freguesia. Hoje, passando junto a essa ribeira ainda é possível um pequeno vislumbre das ruínas da Igreja da Senhora do Verde, que chegou a ser Matriz de freguesia. Trata-se de um edifício de apenas uma nave, com capela-mor abobada mais estreita que o corpo da igreja. O destaque vai para o pórtico principal com características Manuelinas. A imagem da padroeira encontra-se numa capela anexa à Igreja Matriz de Alvor.

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Monumento Nacional da Villa de Abicada
A Villa, que data do século ll d.C. e que acabaria por chegar famosa aos nossos dias. ocupa um espaço que contém todos os elementos privilegiados pelos senhores romanos: propriedade orientada para uma vertente mar/rio e serra, envolvida pelas ribeiras do Farelo e da Senhora do Verde, que vão desaguar na ria, e terras alagadas e férteis. Da Villa conhecem-se as divisões destinadas aos elementos femininos e aos masculinos, bem como as da cozinha, arrecadações e serviços.
A sua planta é singular: desenvolve-se em torno de um átrio hexagonal, apresentando-se sob a forma de rectângulo dividido em três corpos bem diferenciados. O corpo central é constituído por cinco compartimentos quadrangulares que se organizam a partir dos lados de um hexágono exterior no qual se define outro mais pequeno e concêntrico — o impluvium.
A poente encontra-se outro núcleo constituído por compartimentos que comunicam entre si através de um corredor que rodeia o peristilo.
Neste corpo encontra-se o "gynaeceum”, espaço reservado as mulheres.
A nascente distingue-se o corpo do edifício destinado a celeiros, cozinha e dependências de escravos. A riqueza do monumento está no seu mosaico: com motives geométricos formados por tesselas polícromas (várias cores, predominando o cinza, vermelho, branco e azul).
A única zona onde não existem mosaicos é a das dependências da cozinha, arrecadações e aposentos dos escravos e criados.

Nota Histórica
Crê-se que a povoação de Mexilhoeira Grande seja muito antiga, havendo referencia à mesma em documentos datados da primeira metade do século XV. Os historiadores acreditam que a Mexilhoeira tenha sido uma povoação importante, certamente sede de Freguesia, muito antes do século XVII, conforme atesta a construção da sua igreja matriz, concluída em 1534.
Em 1834. a freguesia é desanexa da de Monchique e passa a pertencer ao concelho de Portimão.
Já em 1999, a aldeia de Mexilhoeira Grande foi elevada à categoria de Vila.


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